Para quem travou seus primeiros contatos com a Eletrônica nos anos 80, seja profissionalmente ou por hobby, deve lembrar das famosas revistas “Divirta-se com a Eletrônica”, trabalho do recentemente falecido Professor Beda Marques. Lembro que um amigo me emprestava suas revistas e eu passava semanas revirando sucatas atrás dos componentes para montar alguma coisa.
Em um dos números o projeto de um “Receptor MBF” (Muito Baixa Freqüência). A possibilidade de captar fenômenos atmosféricos e “sinais estranhos” (na época minha fase ufológica estava a toda) me fascinou profundamente. Porém o projeto estava além das minhas possibilidades e habilidades. Construir uma enorme antena de quadro com centenas de espiras de fio não era nem fácil e nem barato. Nos anos que se seguiram de vez em quando eu pensava naquele projeto... já tinha mais recursos e a habilidade necessária, o que eu não tinha era tempo.
Não demorou para que eu percebesse que o hum noise (o ruído de 60 Hz produzido pela rede elétrica e suas harmônicas) era uma praga para os que desejavam caçar sinais nessa faixa de freqüência. Assim só pude escutar meus primeiros spherics (descargas elétricas na atmosfera) com clareza quando me distancie um

Acampei na região dos Alagados e não só pude ouvir os spherics, mas também os tweeks (descargas atmosféricas que, devido às diferentes condições de propagação da Ionosfera durante a noite produzem um pequeno delay, soando como que uma nota musical).
Receptor VLF baseado no LM386, conectado em um gravador digital para gravações em campo.